Relação Israel Egito desde o Êxodo de Moisés até hoje

 A relação entre Israel e Egito remonta a milhares de anos, desde os tempos antigos do Egito faraônico e dos hebreus, que mais tarde se tornaram conhecidos como israelitas. A história dessa relação tem sido marcada por altos e baixos, com períodos de cooperação e aliança, bem como conflito e tensão.

No tempo de Moisés, que é considerado um dos mais importantes líderes religiosos e políticos na história de Israel, os hebreus foram escravizados no Egito durante cerca de 400 anos.


De acordo com a Bíblia, Moisés foi enviado por Deus para libertar o povo hebreu da escravidão egípcia e conduzi-los à Terra Prometida. Ele liderou os israelitas em sua fuga do Egito através do Mar Vermelho, que se abriu para permitir que os hebreus passassem em segurança, e depois se fechou, afogando o exército egípcio que os perseguia.


Essa história é um evento importante tanto para a religião judaica quanto para a cristã, sendo um dos relatos mais populares e conhecidos da Bíblia. A fuga dos hebreus do Egito, conhecida como o Êxodo, também é considerada um momento crítico na formação da identidade nacional judaica e da religião hebraica.


Após o Êxodo, a relação entre Israel e Egito continuou a ser marcada por altos e baixos. Houve períodos em que os dois países foram aliados, como durante o reinado do rei Davi de Israel e do faraó Sheshonq I do Egito, que selaram uma aliança em torno do ano 950 a.C. No entanto, também houve momentos de conflito, como quando o rei assírio Senaqueribe invadiu o Egito em 701 a.C. e as tropas judaicas foram arrastadas para a guerra.


No período helenístico, a relação entre Israel e Egito foi influenciada pelo domínio grego. A dinastia dos Ptolomeus governou o Egito a partir do século IV a.C. e estabeleceu uma aliança com os judeus, permitindo que eles se estabelecessem no Egito e lhes concedesse direitos especiais. No entanto, essa aliança foi rompida pelo rei Antíoco IV Epífanes, que tentou impor o helenismo aos judeus e provocou uma revolta liderada por Judas Macabeu.


No período romano, Israel e Egito estiveram sob o domínio romano e os dois países foram influenciados pela cultura romana. O cristianismo se espalhou pelo Egito, enquanto o judaísmo se espalhou por todo o mundo romano. As relações entre Israel e Egito foram estreitadas novamente durante a era islâmica, quando ambos os países foram governados pelos muçulmanos.


No século XX, a relação entre Israel e Egito foi marcada pela hostilidade e conflito, especialmente durante as guerras árabe-israelenses. O Egito foi um dos países que lutou contra Israel durante a Guerra de Independência de Israel em 1948 e na Guerra dos Seis Dias em 1967.


A estabilidade política entre Israel e Egito?


A relação entre Israel e Egito é complexa e tumultuada, mas desde a assinatura do Tratado de Paz Israel-Egito em 1979, as relações entre os dois países têm sido principalmente pacíficas e estáveis.



O Tratado de Paz foi assinado pelo então presidente egípcio Anwar Sadat e pelo primeiro-ministro israelense Menachem Begin, sob a mediação dos Estados Unidos. O tratado acabou com décadas de hostilidade e conflito entre os dois países e estabeleceu a normalização das relações diplomáticas e econômicas. Como resultado, o Egito se tornou o primeiro país árabe a reconhecer o Estado de Israel.


Porém, a relação entre os dois países nem sempre foi fácil. O Egito se opôs a muitas das políticas de Israel em relação aos palestinos e condenou várias ações militares de Israel na região. Além disso, a opinião pública egípcia tem sido frequentemente anti-israelense, especialmente em relação ao conflito israelense-palestino.


Em 2011, com a queda do presidente egípcio Hosni Mubarak, a relação entre Israel e Egito tornou-se mais tensa. O governo israelense expressou preocupação com a instabilidade política no Egito e a possibilidade de um governo islâmico mais radical assumir o poder.


Essas preocupações se materializaram em 2012, quando o presidente Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, foi eleito no Egito. Morsi adotou uma postura mais crítica em relação a Israel e restringiu a cooperação bilateral em questões de segurança.


Todavia, em 2013, o governo militar liderado pelo general Abdel Fattah el-Sisi derrubou Morsi e assumiu o controle do Egito. Desde então, a relação entre Israel e Egito tem sido mais positiva. El-Sisi tem trabalhado para manter a paz com Israel e tem se esforçado para melhorar as relações bilaterais em áreas como segurança, energia e comércio.


Em 2019, o Egito atuou como intermediário em negociações entre Israel e o grupo palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza.



Em relação ao conflito israelense-palestino, o Egito tem sido um importante mediador entre as partes. O Egito tem trabalhado para trazer os dois lados à mesa de negociações e para estabelecer um acordo de paz duradouro entre Israel e os palestinos. Em 2021, o Egito participou de negociações de cessar-fogo entre Israel e Hamas após 11 dias de conflito em maio daquele ano.


Em suma, a relação entre Israel e Egito é complexa, mas os dois países têm mantido principalmente uma relação pacífica e estável. Embora haja tensões em relação ao conflito israelense-palestino e à opinião pública anti-israelense no Egito, os líderes dos dois países têm trabalhado para manter a paz e melhorar a cooperação bilateral em várias áreas.

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